A Mente Louca dos Grandes Líderes Mundiais – Nassir Ghaemi


O título do livro pareceu-me apelativo, a capa que apresenta os retratos de Winston Churchill, George W. Bush, John Fitzgerald Kennedy e Adolf Hitler também e eis-me a comprar um livro sobre a mente de alguns dos líderes mais conhecidos do passado, esperando que se trate de um livro interessante e cheio de curiosidades.

O livro não defraudou muito as minhas expectativas. Trata-se de um livro que apresenta muito de psicologia, com conceitos e evolução da disciplina e os aplica à análise de diversas personagens históricas que marcaram o mundo no seu tempo.

O objectivo foi demonstrar que os grandes líderes em tempos de crise, sofriam de doenças do foro psicológico que os tornava mais aptos a enfrentar esses momentos complicados de liderança. A contrapor colocou alguns líderes que não sofriam de doenças do foro psicológico que fracassaram em momentos de crise.

Desta forma, Nassir Ghaemi apresentou os maníacos William T. Sherman e Ted Turner, os deprimidos Winston Churchill e Abraham Lincoln, os empáticos Mahatma Ghandi e Martin Luther King, Jr e os hipertímicos Franklin D. Roosevelt e John F. Kennedy. Mas também apresentou o bipolar Adolf Hitler.

Do outro lado, como líderes “sãos” falhados colocou Neville Chamberlain, George McClellan, George W. Bush e Tony Blair.

Sinceramente, a tentativa de prova do livro pareceu-me sempre “forçada”, embora colocando sempre várias situações que comprovam a sua teoria, a busca incessante da prova tirou algum do interesse ao livro. Ainda assim, algo de novo descobri e, por isso, valeu a pena lê-lo.

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1494 – O Papa, os Reis e o Mercenário – Stephen R. Bown


Olhando par ao título do livro (1494) e a capa com a referência Tratado de Tordesilhas, ficamos com a ideia que este livro não será mais do que uma resenha histórica desse evento que dividiu o mundo em dois: um espanhol e outro português.

Nada mais enganoso! Efectivamente o subtítulo (O Papa, os Reis e o Mercenário) indica muito mais do que trata o livro. O Tratado de Tordesilhas é apenas considerado como um ponto no meio do livro, sendo dada maior importância ao casamento dos Reis católicos espanhóis (Fernando de Aragão e Isabel de Castela) e todos os antecedentes (a rejeição do casamento com o rei português Afonso V) e consequências, a ascensão do Papa Alexandre VI, a viagem de Cristóvão Colombo e a do “mercenário” Fernão de Magalhães, para não falar do “Mare Libertum” de Hugo Grotius e a ascensão de outras potências marítimas europeias, como a Holanda e a Inglaterra.

Tudo isto num livro de leitura interessante levando-nos a cada um desses períodos com leveza, com alguns relatos da época e detalhes divertidos. No fim, provavelmente não teremos absorvido muito mais informação do que aquela que já dispúnhamos mas conseguimos enquadrar muitos eventos numa sequência lógica, que até agora nos parecia completamente independente.

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Nirvana & o Som de Seattle – Brad Morrell


Sou um fã incondicional dos Nirvana desde os meus 15 anos. A música destes chegou a mim na altura exacta e nunca mais me deixou. O sentimento de alienação social, da cultura alternativa, as camisas de flanela, o cabelo comprido, os ténis Converse All Star, tudo isso fez parte da minha juventude e são muito do que eu sou hoje e não o renego e nunca o farei.

Procurei este livro lançado originalmente em 1994, após a morte de Kurt Cobain, incessantemente nos anos subsequentes e embora tenha obtido outros biográficos dos Nirvana ou de Kurt Cobain, este sempre me escapou. Este Natal, lá estava no sapatinho! 20 anos após o lançamento de Nevermind, 17 anos depois do lançamento do livro, aí chegou ele até mim e foi um momento de felicidade extrema.

Não é tanto um livro biográfico dos Nirvana ou de Kurt Cobain! Embora tenha muitos dos detalhes da história destes, foca sobretudo o que deu origem ao movimento grunge, o que o rodeou e o que sobreviveu. Fala da importância da Europa como trampolim para este movimento, da editora Sub Pop, da transferência dos talentos de Seattle para as editoras “major”, como viveram e sobreviveram talentos como os Melvins ou Mudhoney.

Mas não esqueceu Kurt Cobain e a sua esposa Courtney Love. Defende acerrimamente o casal e a dificuldade de Cobain em lidar com as “histórias” da imprensa. Conta os últimos momentos de Kurt Cobain sem o tratar como toxico-dependente, mais uma vítima da heroína, dando-lhe uma face humana e menos de um símbolo de uma geração.

Adorei!

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A Morte de Ivan Ilitch – Lev Tolstoi


Para quem leu o Guerra e Paz, Ana Karenina ou Ressurreição, um livro de Lev Tolstoi de 80 e poucas páginas parecerá um qualquer devaneio de fim-de-semana de um dos maiores vultos da literatura mundial.

Adquiri-lo, foi um acto de curiosidade acima de tudo e nem sabia bem o que me esperaria. O prefácio é de António Lobo Antunes e levanta a questão: Será uma obra sobre a morte ou uma obra que nega a morte.

Ao terminá-lo não sei responder à questão. É uma obra que gira em torno da luta de Ivan Ilitch para chegar a um estrato profissional e social superior e sobretudo da sua incapacidade de lidar com uma doença que o torna fraco no seio da família, do trabalho, da sociedade. Que o isola, encontrando o único consolo quando o seu criado Guerassim lhe segura nas pernas.

Vejo nesta obra tantas histórias de pessoas conhecidas ou desconhecidas, que lutam uma parte da sua vida por algo intangível como o sucesso profissional e social e se resignam perante a doença, até que chegam ao momento da morte e se dão conta que afinal nada no seu percurso valeu a pena. Ou terá valido?

Tal como todas as outras, uma obra-prima de Lev Tolstoi, porque as obras-primas não se medem no número de páginas, mas nas vidas que tocam.

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História da China – Stephen G. Haw


Historia da China - Stephen G. Haw

Condensar num só livro toda a história de um país (melhor, de uma civilização), ainda por cima do país mais populoso à superfície terrestre não é tarefa simples. Stephen G. Haw propôs-se ao desafio de partir de há 4.000 anos e percorrer sinteticamente a história da China, focando os momentos essenciais, as personagens mais influentes e o seu legado no futuro.

Não esperava uma resenha exaustiva e não a encontrei. A verdade é que o livro será uma boa introdução ao estudo da história e cultura chinesas, da qual conhecemos sobretudo o último século ou, na melhor das hipóteses, os primeiros contactos com os portugueses em Nanquim e Macau (também ligeiramente tocados pelo livro, que dá maior importância a Hong Kong ou Taiwan, por exemplo).

No fundo, serviu para alimentar a curiosidade e fazê-la crescer para me focar em alguns pontos da sua história: a Guerra do Ópio ou alguma das dinastias que governaram uma China que embora tenha sofrido alterações nas suas fronteiras, desde cedo definiu uma identidade própria como povo.

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Cleópatra – Stacy Schiff


Como escrever uma biografia da provavelmente mais influente mulher de todos os tempos mas que viveu há cerca de 21 séculos atrás? Stacy Schiff, vencedora do prémio Pulitzer pela sua obra sobre a esposa e musa de Vladimir Nabokov, Vera utilizou um misto de relatos directos das vozes mais proeminentes da época (sobretudo vozes romanas) e relatos sobre a sociedade egípcia e romana da época.

O resultado é um livro excepcional que nos transporta para Alexandria ou Roma, para junto de Cleópatra e da sua família, dos seus amantes, do seu séquito. Nunca dando por absolutas as “verdades” que foram relatadas à época, entendendo o quanto se jogava politicamente na praça pública, Stacy Schiff dá-nos o espaço suficiente para absorvermos o ambiente destes jogos políticos e amorosos e tirarmos as nossas conclusões.

Da infância povoada de traições no seio da família ptolemaica, ao seu encontro com Júlio César do qual saiu um filho, Cesarião, ao assassínio de Júlio César em Roma, ao seu relacionamento com Marco António do qual saíram 3 filhos, à queda deste e consequente morte, e, finalmente, ao desaparecimento de Cleópatra, todos estes momentos parecem estar tão próximos de nós como a 2ª Guerra Mundial, permitindo-nos finalmente visualizar uma mulher que apenas personalizamos na pele de Elizabeth Taylor e poucas vezes numa rainha capaz, a única que, até à sua morte, foi capaz de se manter no seu trono na bacia do Mediterrâneo, jogando, a partir de Alexandria, os diferentes governantes de Roma a seu bel prazer.

Recomendo vivamente a sua leitura.

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Os Templários – Barbara Frale


Os Templários - Barbara Frale

A ordem dos Templários tem vindo ao longo dos tempos a gerar enorme curiosidade pela secretismo que sempre lhe foi associado. Da sua génese ao seu desaparecimento (se é que se passou), passando pelo seu papel nas cruzadas ou como banco fiduciário dos reinos europeus ou pela sua eventual existência ainda no seio das nossas comunidades, a Ordem do Templo é um dos exemplos perfeitos de organizações que existiram à margem das administrações políticas, religiosas e sociais, pensando por vezes que as dominassem.

O livro escrito pela investigadores Barbara Frale pretendeu fazer uma breve resenha da história dos Templários, começando na sua origem virada para a proteção dos peregrinos que se deslocavam à Terra Santa, no seu crescimento e aumento de influência até ao processo que terá levado ao seu desaparecimento.

Sinceramente para um livro escrito com base em informação dos Arquivos secretos do Vaticano, estava à espera de muito mais. O nascimento da ordem não dá, de todo, a informação completa que esperava, assim como, o seu desenvolvimento e importância na Terra Santa. Pelo contrário, o livro dá ênfase à influência que teve na Europa, à relação conturbada com o jogo de poderes no Vaticano e ao processo que o rei francês Filipe, o Belo instaurou e que levaria ao desaparecimento da Ordem em França.

Faltou ainda um estudo mais aprofundado das consequências do seu desaparecimento, as tentativas de reacender a chama templária no sul da Europa ou mesmo a transposição dos ideais templários para outras organizações ainda à data de hoje existentes.

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